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Resgate fotográfico de 1966 em Brusque…

Para quem ainda não teve oportunidade de ver o trabalho de resgate fotográfico da Maria Luiza Ollinger que aborda sobre o grupo de Debutantes de 1966 do Clube Esportivo Bandeirante, de Brusque, em Santa Catarina.  Clique na imagem.

Nadia… presente (2010) e passado em 1888…

Será que voltaremos apertar botões?

1878 George Eastman, um jovem bancário norte-americano, decide fotografar um passeio em suas primeiras férias do trabalho e se apaixona pela fotografia.

1880 Eastman descobre a fórmula ideal para produzir chapas fotográficas e funda a Eastman Dry Plate, em Rochester, Nova Iorque.

No ano de 1885 Eastman abre um escritório em Londres, demonstrando a vocação global da Kodak, que gradativamente foi instalando filiais ao redor do mundo.

Em 1888 os norte-americanos conhecem a primeira câmera portátil que custava US$ 25 e vinha com o lema “Você aperta o botão e nós fazemos o resto”. Era do tipo caixão, carregada com um rolo de papel para 100 exposições.

Cemitério das Árvores…

Texto e Fotografia: Maria Luiza Imhof Olinger

Da penitenciária ou cárcere de Ushuaia, na Patagônica Argentina, partiam dois trens de presos a cada manhã. O primeiro, chamado “Punta de Via”, seguia com uns 20 reclusos que tinham como tarefa o avance dos trilhos que se montavam sobre dormentes de “lengas” que primeiro haviam cortado os presos.

Um segundo grupo ou segundo trem partia umas horas depois , às sete da manhã . Eram ao redor de 90 presos e 30 guardas da penitenciária armados com fuzis. Outro grupo era formado pelos zeladores, que não levavam armas e que eram encarregados de transmitir as ordens. Os presos eram levados aos vagões com os pés pendurados ao vazio, com seus clássicos uniformes , primeiro listrados e depois cinza , dispostos a enfrentar todas as inclemências do clima da ilha . O forte vento do vale , a chuva , a neve ou o sol. Ainda assim , eles preferiam isto a ficarem presos no presídio e era, segundo alguns historiadores, um prêmio ao bom comportamento.

A imagem que se tem na memória é a dos guardas armados custodiando os presos que realizavam suas tarefas ,no final de 1800, princípio de 1900. Tudo isto foi aqui  , neste lugar , neste clima ,e aí estão como mudos testemunhos dos tempos das árvores cortadas , silenciosas ,mas eloquentes na hora de contar a epopéia do” Trem dos Presos” e o por que do Cemitério das “Árvores “, nesta paisagem impressionante de Ushuaia, no incomparável Fim do Mundo .

Uma vez que chegavam ao lugar de trabalho, os presos eram obrigados a descer dos vagões e formavam um virtual corredor de tarefas. Depois de horas de trabalho os presos voltavam a seus lugares nos vagões, porém sentados sobre a lenha. Calcula-se que as árvores cortadas formavam umas setecentas peças de carga. Desse total 400 eram queimadas nas estufas do presídio, onde existiam umas 120 e outras 300 eram queimadas na usina que gerava eletricidade para o presídio e para a própria cidade.

O trabalho não se detinha , a lenha como elemento fundamental para a subsistência devia ser proporcionada de maneira regular , portanto os presos trabalhavam nos bosques durante os duros meses de inverno , com as temperaturas muito abaixo de zero graus, com chuva, neve e ventos gelados. Durante a década de 1930 , a população presidiária era igual a quantidade de habitantes de Ushuaia.

Durante o trajeto do trem pode-se observar em ambos os lados vestígios de árvores cortadas pelos prisioneiros no princípio do século passado. Quando os presos não cumpriam suas obrigações, eram castigados. Mas, assim como recebiam castigos, também recebiam prêmios , e um dos mais apreciados era sair no Trem dos Presos, como era conhecido popularmente , a cortar árvores.É desta maneira que encontramos o “Cemitério das Árvores”, uma região que foi cortada por eles há mais de 80 anos. O corte das árvores se denomina tocos, e junto deles podemos imaginar como era a paisagem e o bosque naquela época, uma marca de sua antiga abundância. Os presos costumavam cortar as árvores rente ao solo, e este era um trabalho que realizavam todos os dias do ano.

As irregularidades que se vêem nos cortes se deve a que os presos utilizavam duas ferramentas para esta tarefa, uma era o machado e a outra a serra, manipulada ao mesmo tempo por duas pessoas e se observarmos bem os tocos, podemos perceber em que época do ano foram cortadas, já que os tocos mais altos nos indicam que foram cortados no inverno e nos demonstram a quantidade de neve no momento. Os mais baixos no verão. Passado o Cemitério das Árvores podemos observar um bosque que nos dá a idéia  de como era o bosque 100 anos atrás .

Recordatórios – notas sobre memória e fotografia…

A memória estabelece um papel fundamental no que diz respeito à percepção e construção do homem. A fotografía contém, entre outros aspectos o de “depósito” da memória, devido a seu valor como índice, como vestígio, tal como argumenta Phillipe Dubois, além do carácter funcional de ampliar nossa capacidade mental de armazenar informações. Desempenha uma função social, no sentido de documentar, registrar e preservar a memória coletiva e individual, em arquivos públicos ou privados. A utilização desses documentos na arte contemporânea, possibilitam aos artistas, compreender a imagem fotográfica como uma transformação-interpretação do real, ignorando-a como uma tecnologia à serviço da realidade. Partindo de procedimentos como os de coleção, apropriação, construção e reconstrução, rearticulação da fotografia, os artistas alteram seu significado, contestam a próprio valor documental da imagem, desconstruindo e resignificando, cada um a seu modo, imagens existentes e habituais do mundo contemporâneo. Esse artigo da Lela Martorano é muito interessante. Leia completo aqui.

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